Indústria do aço vê avanço chinês como gatilho da nova onda de desindustrialização latino-americana

O avanço chinês no mercado do aço acaba de se tornar um gatilho para uma nova onda de desindustrialização latino-americana. A perda de competitividade brasileira na indústria do aço é um sintoma mais do que um problema — ela é apenas o começo de uma história de desindustrialização que afeta toda a região.
Os números falam por si: as importações de aço laminado para o Brasil cresceram cerca de 30% entre janeiro e agosto de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior. A maioria desses produtos vem da China, onde a produção encontra-se sustentada por subsídios públicos e crédito estatal. É uma prática comum que a siderúrgica brasileira já denunciava como uma forma de distorcer o mercado. É uma situação complexa, pois a China não apenas exporta aço plano, mas também aço semiacabado, que tem um valor agregado maior. No entanto, o custo é muito menor, o que acaba atingindo a rentabilidade dos siderúrgicos brasileiros.
O Brasil é um dos maiores exportadores de aço semiacabado, mas essa é uma vantagem que não parece ajudar muito mais, pois a indústria automobilística e a construção civil têm mais necessidade de aço laminado. Além disso, ao contrário do que se poderia esperar, o aço chinês é mais barato, o que faz com que os fabricantes locais tenham que se adequar à nova realidade. É um problema que afeta não apenas o Brasil, mas a todo o continente. Nos últimos 15 anos, as exportações de aço da China para a região aumentaram 233%, enquanto a produção regional encolheu 13%.
Para os empresários do setor, a crise enfrentada pela indústria do aço é mais do que um problema conjuntural. Ela é estrutural, causada por uma combinação de subsídios chineses, protecionismo americano e ausência de coordenação regional. A situação está se agravando ao ponto em que algumas siderúrgicas estão sendo forçadas a suspender investimentos e demitir funcionários. A Gerdau é um exemplo disso, enquanto a ArcelorMittal está reavaliando seus planos de expansão no país. A indústria não só precisa encontrar soluções emergenciais, mas também precisa desenvolver estratégias para se manter competitiva em um mercado muito mais desafiador.

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