A mega rede de infraestrutura que as estatais chinesas costuram no Brasil

A mega rede de infraestrutura que as estatais chinesas costuram no Brasil.
A China é um dos nossos principais mercados de exportação, e por isso não é surpresa que a maior parte das nossas exportações de soja acabe embarcando para lá. No entanto, o que é fascinante é que a própria China é um dos nossos principais compradores de soja, de alguma forma. Muitas das nossas vendas de soja são intermediadas por grandes traders agrícolas, como Cargill, Bunge e Louis Dreyfus, que compram da nossa safra e vendem para os clientes de fora, cuidando da logística e da negociação. Mas há uma grande player que está mudando o jogo: a Cofco, uma estatal chinesa que se tornou a segunda maior trader de grãos do mundo.
A Cofco é uma empresa de verdade, com uma presença cada vez mais forte no mercado brasileiro. Ela não apenas compra e vende grãos como também cuida de toda a logística, desde a colheita das sementes até o embarque nas cargas. E não é só soja que ela está comprando; a empresa também está comprando milho, açúcar e outros produtos agrícolas. Em 2024, por exemplo, a Cofco comprou 72,5 milhões de toneladas de soja, de milho e açúcar, e embarcou 6,65 milhões dessas toneladas em navios, o que representa cerca de 9% do total de nossa exportação para a China. E essa é apenas a ponta do iceberg. A Cofco também é a maior exportadora de produtos agrícolas no país, com uma capacidade de exportar 17 milhões de toneladas por ano.
A chave para o sucesso da Cofco está na capacidade de verticalizar a logística, ou seja, de controlar mais fases do ecossistema de exportação. Eles não apenas compram e vendem grãos, mas também cuidam de toda a infraestrutura necessária para fazer isso acontecer. Para aumentar sua capacidade de exportação, a empresa inaugurou um novo terminal no Porto de Santos, conhecido como TEC (Terminal Exportador Cofco). Esse terminal entrará em operação plena no ano que vem, aumentando a capacidade da empresa em 10 milhões de toneladas por ano, e tornando-o o maior terminal da Cofco fora da China. Mas não é apenas isso: a empresa também comprou 23 locomotivas e 979 vagões de carga, por R$ 1,2 bilhão, o que significa que eles próprios irão transportar os grãos das regiões produtoras até o Porto de Santos, a partir de 2026.
A infraestrutura criada por essas estatais chinesas no Brasil é verdadeiramente impressionante. Se você for ao Porto de Santos, vai ver um verdadeiro reino de atividade, com navios carregando grãos para todas as partes do mundo. E a Cofco não está sozinha; há uma grande concorrência de empresas e de governos que também estão investindo em infraestrutura, o que significa que o futuro do Brasil no mercado de exportação parece cada vez mais promissor.
Agora que a Cofco está aumentando sua capacidade de exportação, podemos esperar que a empresa continue a expandir sua presença no mercado brasileiro. E se você quiser entender como funciona essa rede de exportação, basta olhar para a infraestrutura que está sendo criada no país.

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