Títulos de empresas vistas como mais vulneráveis já pagam até IPCA mais 20% no mercado secundário

Títulos de empresas vistas como mais vulneráveis já pagam até IPCA mais 20% no mercado secundário.
Uma onda de insatisfação está varrendo o mercado de renda fixa corporativa. Muitos investidores estão desconfiados das empresas que se encontram em situações financeiras delicadas, e isso transparece no preço dos seus títulos no mercado secundário. É comum ouvir falar em debêntures e papéis de renda fixa como CRI e CRA, mas nem sempre as pessoas entendem o que esses termos significam. Em resumo, esses papéis são como empréstimos que as empresas concedem para obter recursos, mas ao invés de serem cobrados de forma tradicional, eles são emitidos em forma de títulos que possuem um prazo de vencimento e um rendimento fixo.
No caso específico das empresas mais endividadas, investidores têm se afastado desses papéis com medo de perder dinheiro. Isso faz os compradores exigirem descontos cada vez maiores para assumir o risco, e os emissores acabam pagando mais do que esperavam. Por exemplo, a debênture da Raízen com vencimento em junho de 2030 está sendo negociada com um rendimento de IPCA mais 15%, que equivale a cerca de 19,55% ao ano, e até 142% do CDI. Outras empresas também têm sido afetadas, como a Vamos, do grupo Simpar, cujos papéis têm alcançado taxas de IPCA mais 13,16% e 11,97% ao ano, e a CSN, cujos títulos vencem em 2027 e 2028, pagando CDI mais 9,68% e 10,14% ao ano.
A situação é tal que a crise financeira da Raízen, a decretação de falência da Oi e a crise de liquidez da Braskem estão todos contribuindo para a perda de credibilidade dessas empresas. Isso afeta não apenas os seus papéis, mas também a percepção dos investidores sobre o mercado como um todo. Mesmo as empresas que não são tão endividadas quanto as mencionadas podem ser afetadas pela falta de confiança, o que pode levar a taxas de juros mais altas e menos demanda pelos papéis de renda fixa. Enquanto isso, as debêntures das empresas que estão em boa situação financeira ainda podem oferecer bons retornos, mas as desconfianças entre os investidores são uma tendência que não indica mudança para melhor no curto prazo.

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