Stablecoins podem perder vantagem após a regulação do BC?

Stablecoins podem perder vantagem após a regulação do BC?
Com a regulação de criptoativos publicada recentemente pelo Banco Central, o futuro das stablecoins no Brasil parece estar em jogo. A partir de maio de 2026, transferências internacionais feitas por meio dessas criptomoedas, que são atreladas a outros ativos como o dólar, serão consideradas operações de câmbio. Isso significa que, a partir de então, essas transações com criptos podem pagar imposto sobre operações financeiras, assim como as remessas tradicionais.
A inclusão das stablecoins no mercado de câmbio é um dos principais impactos da regulação do Banco Central. Especialistas dizem que, em um primeiro momento, a tributação pode reduzir o uso dessas criptos, pois uma parte do interesse atual vem justamente da isenção de impostos. Para entender melhor a situação, é preciso considerar as vantagens das stablecoins em relação ao modelo tradicional. Além da velocidade nas transações, menor custo operacional e simplicidade de uso, essas criptos oferecem uma grande vantagem: elas liquidam quase instantaneamente, sem demora em relação ao modelo tradicional. Já imaginou enviar dinheiro internacional e receber a quantia exata em segundos? Isso se torna realidade com as stablecoins.
Um exemplo prático é a transferência internacional por meio de SWIFT, um sistema que leva de dois a quatro dias úteis para completar a operação. Já as stablecoins podem ser enviadas e recebidas em segundos, sem a necessidade de intermediários. Além disso, o spread é menor porque há menos atores envolvidos no processo. A pergunta é: as stablecoins vão continuar a ser populares mesmo com a possibilidade de pagar imposto? Mychel Mendes, CFO da Tokeniza, acredita que sim. Ele diz que a inclusão desses ativos no mercado de câmbio é positiva, ainda que idealmente elas deveriam continuar isentas de impostos. Outro especialista, Lucca Freire, fundador e CEO da UnblockPay, também acredita que as pessoas vão continuar usando essas criptos como se fossem o PIX: rápido, fácil e seguro.
Enquanto isso, o volume negociado das stablecoins no Brasil continua a crescer. Em outubro, o volume negociado do USDT, uma das mais populares, chegou a R$ 10 bilhões no país. Embora a inclusão no mercado de câmbio possa afetar o interesse inicial dos brasileiros em usar stablecoins, especialistas acreditam que essas criptos vão continuar a ser uma opção atraente para quem procura facilidade, velocidade e custo operacional baixos.

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