Remuneração de conselheiros no Brasil é tabu e custa caro agora R$ 57 milhões

A remuneração dos conselheiros de administração nas empresas brasileiras se tornou um tema delicado e pouco discutido, embora esconda um problema significativo. Recentemente, a gestora Squadra enviou uma carta pública à Hapvida, solicitando a renovação de todos os conselheiros de administração, apontando que os nove conselheiros da operadora de planos de saúde devem custar R$ 57 milhões aos acionistas em 2026, o que equivale a cerca de 20% do lucro projetado pela empresa para o ano. Essa discrepância chama a atenção para a forma como as empresas brasileiras remuneram seus conselheiros, que são tratados mais como prestadores de serviço do que como guardiões do longo prazo da companhia. A forma mais comum de remuneração é através de contratos previsíveis, com mandato de dois anos, honorários fixos pagos em dinheiro e adicionais por participação em comitês, sem vínculo direto com o desempenho da ação. Cerca de 80% das companhias abertas adotam esse desenho, segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, enquanto apenas 21% remuneram conselheiros com ações.
Essa abordagem gera implicações operacionais significativas, pois os conselheiros não têm um incentivo direto para focar no desempenho de longo prazo da empresa. Além disso, a falta de transparência e discussão sobre a remuneração dos conselheiros pode levar a uma percepção de que os interesses dos acionistas não estão sendo priorizados. No mercado, essa situação pode gerar riscos, como a perda de confiança dos investidores e a diminuição do valor das ações. Por outro lado, a adoção de práticas de remuneração mais alinhadas com as empresas norte-americanas, como o pagamento em ações, pode ser uma oportunidade para as empresas brasileiras melhorarem sua governança corporativa e aumentarem a confiança dos investidores. A governança corporativa é um aspecto fundamental para as empresas, e a remuneração dos conselheiros é um dos principais pontos a serem considerados. A transparência e a discussão aberta sobre esses temas são essenciais para o desenvolvimento de um mercado mais saudável e sustentável.
A comparação com os Estados Unidos é particularmente interessante, pois lá, 96% das empresas do S&P 500 pagam parte da remuneração dos conselheiros em ações. Isso demonstra que a abordagem brasileira é diferente e pode estar contribuindo para a percepção de que os conselheiros são mais prestadores de serviço do que guardiões do longo prazo. A falta de incentivos para os conselheiros se concentrarem no desempenho de longo prazo da empresa pode estar gerando consequências negativas, como a perda de valor das ações e a diminuição da confiança dos investidores. Em um contexto prático, é importante considerar que as empresas que adotam práticas de remuneração mais alinhadas com as melhores práticas internacionais podem ter uma vantagem competitiva em termos de atração de investidores e talentos.
A questão da remuneração dos conselheiros de administração é complexa e envolve muitos aspectos, desde a transparência até a alinhamento de interesses entre os conselheiros e os acionistas. Em um mercado cada vez mais globalizado, é fundamental que as empresas brasileiras considerem as melhores práticas internacionais e busquem melhorar sua governança corporativa para atrair investidores e talentos. A discussão sobre a remuneração dos conselheiros é um passo importante nessa direção, e a adoção de práticas mais transparentes e alinhadas com as necessidades dos acionistas pode ser uma oportunidade para as empresas brasileiras se destacarem em um mercado cada vez mais competitivo.

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