Como a soja virou protagonista na guerra comercial entre EUA e China

Como a soja virou protagonista na guerra comercial entre EUA e China
Na era de guerras comerciais e alianças estratégicas, não faltam exemplos de como as disputas globais podem afetar a vida de produtores rurais, como é o caso de Dean Buchholz, um fazendeiro de Illinois. Após anos sendo sacudido por tumultos econômicos, ninguém poderia imaginar que sua safra de soja acabaria envolvida em uma crise financeira na Argentina. Mas foi exatamente isso que aconteceu quando o governo Trump prometeu um empréstimo de US$ 20 bilhões para reforçar as finanças da Argentina, agora sob o comando do presidente libertário Javier Milei.
Dias após a promessa de empréstimo, a China comprou bilhões de dólares em soja argentina, assinando um megacontrato agrícola que repercutiu nos mercados internacionais. Em meio a uma guerra comercial entre Pequim e Washington, a China e a Argentina uniram forças para mostrar que o mundo pode prosperar sem a soja americana. E é aí que a situação começa a se complicar para os produtores americanos, como Buchholz, que acha que a China lhe cortou a garganta. "A gente usou dinheiro de impostos para ajudar um país estrangeiro e eles basicamente fizeram isso em troca", lamenta.
A manobra chinesa não parou por aí, uma vez que também prometeu comprar 12 milhões de toneladas de soja americana nestas safras e 25 milhões de toneladas por ano nos próximos três anos. "Nossos grandes produtores de soja, que os chineses usaram como peões políticos — isso acabou. Eles vão prosperar nos próximos anos", afirma o secretário do Tesouro, Scott Bessent. Mas não é comum ouvir agricultores se sentirem como peões ao serem usados por poderosos países. David Isermann, que cultiva cerca de 1 mil hectares em Illinois, confessa sentir que são manipulados: "Acho que todo mundo nos usa como peões".
Para os produtores americanos, a pergunta agora é se a China realmente irá cumprir a promessa. Enquanto isso, os preços pagos aos agricultores subiram desde o anúncio do acordo, mas ainda não há garantias de que a soja americana seja competitiva em relação à soja argentina. "Ele irritou os produtores de soja", diz Isermann, sobre o presidente Trump. Mesmo com uma boa parte do interior agrícola apoiando-o, o presidente não conseguiu tranquilizar os produtores de soja. E enquanto isso, os preços da soja americana continuam a ser pressionados.

Postagens relacionadas