ArcelorMittal condiciona investimento de R$ 12 bilhões no país à eficácia das barreiras ao aço chinês

ArcelorMittal condiciona investimento de R$ 12 bilhões no país à eficácia das barreiras ao aço chinês
O Brasil pode se tornar um dos principais investimentos da ArcelorMittal, uma das maiores empresas siderúrgicas do mundo, graças a um plano ambicioso que visa injetar até R$ 12 bilhões na economia local. No entanto, a decisão do investimento depende de uma condição crucial: a eficácia das barreiras à importação de aço, especialmente do chinês, que tem pressionado as margens das empresas brasileiras do setor.
O CEO da ArcelorMittal Brasil, Jorge Oliveira, é categórico ao afirmar que a empresa quer investir, mas que a competitividade do Brasil frente ao aço importado é fundamental para que isso aconteça. Segundo ele, a decisão será tomada com base em fatores de mercado e nas condições de defesa comercial do país. Em outras palavras, a empresa precisa ver se as ações do governo serão suficientes para proteger a indústria nacional de aço, sobretudo diante da ameaça da China, que se tornou um dos principais exportadores de aço para o Brasil.
As alternativas em estudo da ArcelorMittal incluem a instalação de um laminador, um equipamento que dará forma final ao aço bruto, no Complexo de Pecém, no Ceará, ou a expansão da unidade de Tubarão, no Espírito Santo, onde a empresa já mantém uma das maiores plantas integradas do mundo. Uma decisão definitiva deve ser tomada até o fim do primeiro trimestre de 2026. Esse novo pacote de investimento faz parte da segunda fase do ciclo de aportes de R$ 25 bilhões anunciado em 2022, que está sendo concluído agora.
Jorge Oliveira destacou que o volume de importações de aço no Brasil saltou de 2,2 milhões de toneladas antes da pandemia para cerca de 6 milhões em 2024, o que pressiona as margens das empresas brasileiras e compromete novos investimentos se não houver previsibilidade regulatória. Em meio a essa pressão, a ArcelorMittal reafirmou que o investimento no novo laminador e a expansão da unidade de Tubarão só serão confirmados se as condições do mercado se alinhar com os planos da empresa. Nesse contexto, a empresa também cancelou novos investimentos na planta de aços longos em João Monlevade, no Minas Gerais, projeto que perdeu sentido após a aquisição da Votorantim Siderurgia, em 2018.
A ArcelorMittal Brasil responde por cerca de 40% da produção nacional de aço, com capacidade anual próxima de 15 milhões de toneladas. Com o investimento de R$ 12 bilhões, a empresa pretende se concentrar mais em aços planos premium, produtos de maior valor agregado, destinados à indústria automotiva, eletrodomésticos e construção metálica. É uma estratégia audaciosa, que só será viável se o governo brasileiro conseguir proteger a indústria nacional de aço das importações estrangeiras.

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