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A aviação segue refém do petróleo: por que o setor ainda não encontrou sua libertação

A aviação, um dos setores mais polêmicos em termos de impacto ambiental, ainda está refém da alta do petróleo e do combustível fóssil. A dependência do querosene de aviação (QAV) é um dos principais desafios para as companhias aéreas, que enfrentam dificuldades financeiras decorrentes da alta do preço desse insumo fundamental. A situação é grave o suficiente para que as companhias aéreas cortem voos e projete perdas, como é o caso da American Airlines, que reduziu sua estimativa de lucro para 2026, e da United Airlines, que disse que as passagens devem subir em até 20% durante o verão no hemisfério norte.

Ainda assim, a aviação não tem uma alternativa imediata para substituir o combustível fóssil em voos comerciais. A tecnologia para produzir o Combustível Sustentável de Aviação (SAF) existe e é produzida em pequena escala, mas ainda não decola, atendendo apenas 0,6% da demanda global por combustível de aviação, ou seja, o suficiente para abastecer por completo cerca de 460 mil voos. Esse é um número considerável, mas ainda muito longe de atender às necessidades da aviação comercial. Com efeito, é como se estivéssemos a discutir se uma gotícula de água é suficiente para apagar um incêndio em uma padaria aceso e ativo em pleno dia.

Implicações operacionais e de mercado são evidentes: as companhias aéreas precisam encontrar maneiras de se adaptar às altas do petróleo e reduzir seus custos com combustível. Aumentar o preço das passagens pode ser uma opção, mas isso pode afetar a demanda. Com efeito, uma alta de 20% é bem mais do que um aumento de apenas uma décima parte do preço da passagem aérea. Ainda assim, existem riscos de que as companhias aéreas não consigam recuperar suas perdas e que a aviação continue a ser refém da alta do petróleo e do combustível fóssil. Outro fator é a possibilidade que a indústria se adapte e reduza suas emissões. Outra alternativa ainda pouco considerada, mas que poderia ser explorada em uma futura etapa da indústria aérea, é utilizar baterias mais eficientes e menos caras em seus sistemas.

Por ora, a aviação não tem como recorrer a um plano B, e as companhias aéreas precisam continuar a ser inovadoras e procurar maneiras de reduzir seus custos e melhorar suas eficiências.